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sábado, abril 03, 2004

O Lâmpaco, entre macaco e lâmpada... bizarroco das distantes florestas de África 

Isto está mau. O tempo não parece de Primavera. Chove, faz sol, sopra uma ventania desgraçada. Quem diria que o equinócio da Primavera começou no dia 20 de Março, precisamente pelas 06.49 da madrugada?! Pelo menos a acreditar nos serviços do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), que são de confiança. Antes que me esqueça - não tem nada a ver - sabiam que fomos esta manhã ao Fórum Romeu Correia, à Biblioteca, secção infantil, para uma iniciativa da Festa do Livro organizada pela Câmara Municipal de Almada? A verdade é que não sabia bem ao que ia, o Miguel muito menos. Afinal ele não quer que se saiba a história. E é isto. O tempo parece de Inverno. Não sabemos como devemos sair à rua. De guarda-chuva? Com camisola de lã? Botas de inverno, para a chuva, ou sapatos leves? Quando chegámos lá, já tarde, como é costume, percebemos que afinal o atelier ainda não tinha começado e que nós eramos os únicos participantes. Parece o princípio de uma história de terror mas não é. Ainda ontem, quando saímos do autocarro na Praça de Espanha, apanhámos com chuva. E ainda por cima daquela chuva molha-tolos. Cumprimentámos o animador da actividade que nos conduziu para uma sala interior. Sobre a mesa estava um portátil a que o Miguel se atirou logo. Entretanto chegaram mais duas meninas para ouvir a história (a Ana e a Catarina) e deixámos de ser os únicos. Sentei-me numa cadeira, um pouco à margem, e o rapaz, depois de breves apresentações e de explicar que o atelier se inscreve num projecto cultural, patrocinado por uma universidade, e que tudo irá desaguar num site que ainda não está pronto, começou a ler a história: Estranhões e Bizarrocos, de José Eduardo Agualusa. A sala estava aquecida e recebia em pleno a luz do sol, mas lá fora o tempo continuava incerto. Vento e muita humidade atmosférica.



Esqueci-me de dizer que antes de começar a ler a história de um inventor de inutensílios, o rapaz levou os miúdos para a Biblioteca para que eles encontrassem o livro. E o Miguel lá o viu, na estante da Literatura-não-sei-quê, também não é importante. Depois sim a história. Jácome, um inventor de objectos estranhos que assustavam os adultos: Máquinas de espirros, formigas mecânicas, pássaros a vapor, sapatos voadores... etc. A chuva foi um pouco inesperada. Quando saimos de casa não imaginava que tivéssemos de correr debaixo da chuva miudinha, entre semáforos e um trânsito ameaçador. Chegámos à Fundação Gulbenkian a tempo, mas com uma molha desnecessária. Depois da história vem o trabalho de inventar palavras novas, seguindo a sugestão do Agualusa. O nome de um animal - o Miguel disse "macaco" - e o nome de um objecto - "lâmpada". E juntando os dois nomes ficou o "lâmpaco". Deve ler-se "lâmpáco", para preservar o artifício fonético. Estão a ver? Depois desta invenção toca a imaginar em barro o estranhão ou o bizarroco e ver o que é que dá. Costuma dizer-se "Abril águas mil". Se calhar o mês vai todo com chuva, dia sim dia não. E logo nas férias da Páscoa, quando apetece ir passear e andar de bicicleta. E o que vem a ser o "lâmpaco"? O Miguel, que quer segredo, explicou tudo: é uma mistura de macaco com lâmpada; é amarelo e um bocadinho branco, come bananas e dá luz por todo o corpo; quando estamos fartos da luz do lâmpaco é simples: tapa-se com um lenço; vive nas florestas de África e os filhos ainda dão mais luz do que os pais; as pernas e os braços são muito parecidos, tal como nos macacos a sério; dois mil "lâmpacos" chegam para iluminar um campo de futebol. Mas tudo isto que vos disse é segredo. O Miguel não quer que se saiba. Amanhã se calhar vai chover e lá se vai o cicloturismo. CHIU... OK?


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