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terça-feira, março 23, 2004

Eu leio a Imprensa Regional! 

Os títulos disponíveis na imprensa de âmbito nacional são poucos e em deriva para a tabloidização. Não é de agora e parece que o panorama editorial não deverá mudar, justamente quando a imprensa escrita tradicional está em crise. A tiragem média dos nossos jornais de referência (na informação geral só me lembro de dois, assim à primeira) é de rebentar a rir. Vendem pouco, são lidos por poucos leitores que mais frequentemente preferem a grande salada televisiva servida à hora do jantar, em grandes travessas cheias de cor e ruído. A informação espetáculo, para quem não quer estar informado, ganha à informação de fundo que reclama tempo, atenção e algum sentido interpretativo. O mercado revisteiro é amplo e variado, mas a informação geral de qualidade quase não tem audiência.



Para variar as minhas fontes... agora leio a imprensa regional. Não é tão solene quanto parece: o meu pai deixa-me em casa regularmente o Diário do Alentejo, de que é assinante, e eu entro na leitura semanal das notícias onde a ovinotecnia e a caprinotecnia vêm antes dos conflitos partidários (que também há). O jornal, que ao contrário do título enganador, só sai uma vez por semana, à 6ª feira, é sóbrio e reflecte razoavelmente bem o equilíbrio político da região. São 20 páginas de informação regional, mais um caderno para um tema de destaque e publicidade local - o cadernodois -, para além de um suplemento chamado Alentejoilustrado, com boas fotos de capa, e de orientação mais cultural e patrimonial.
O número de 19 de Março, da passada 6ª feira, dá destaque ao grande acontecimento em que se transformou a Ovibeja, a 'grande feira do sul do país'. No suplemento ilustrado, com chamada de 1ª página no caderno principal, sai uma extensa entrevista com o actual ministro da educação - Um ministro com raízes no Alentejo. Ainda não li mas parece ser substancial e valerá a pena ler as linhas e as entrelinhas.
Gosto deste jornal regional, que não permanece à margem da política nem revela antipatia pelo contraditório e pelas pequenas e grandes polémicas locais. Uma delas é sintomática de como o alinhamento partidário pode condicionar as escolhas culturais, ou de como a cultura não permanece, por muito que se queira, longe dos diktats políticos. Trata-se do conflito de 'personalidades' entre um actual presidente de Câmara e um ex-presidente, a pretexto do nome a atribuir a uma biblioteca. O 'ex' avançou com o nome de um poeta local, o Raul de Carvalho do belíssimo poema Vem Serenidade ("...vem cobrir a longa fadiga dos homens/ o antigo desejo de nunca ser feliz/ a não ser pela dupla humidade das bocas."). Mas o presidente foi pelo nome do nosso épico, para culminar com uma coroa de versos heróicos uma das obras do seu mandato. Eu, se me perguntassem a opinião, votaria no Raul de Carvalho. Muitas vezes. Mas pronto...

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